OBSERVATÓRIOS - REGIÃO CENTRO-OESTE

 

Observatório Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio

 

O INCT Caleidoscópio é um projeto de desenvolvimento científico que visa compreender e enfrentar desigualdades, violências e iniquidades em perspectiva feminista interseccional. Também estudamos iniciativas institucionais pioneiras em direitos humanos e justiça social nas instituições de ensino superior (IES) com o objetivo de fomentar experiências exitosas em instituições parceiras.

 

Com sede na Universidade de Brasília, a Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio articula núcleos e laboratórios de pesquisa de IES da região, organizando suas atividades em ações do Observatório Caleidoscópio e da Incubadora Centro-Oeste do INCT. No âmbito dessas ações, articula suas iniciativas de pesquisa, extensão e comunicação científica. 

 

Observatório de Indicadores de Violências e Vulnerabilidades 

 

Dedicado a realizar coleta de dados sobre violências, desigualdades e insurgências de gênero e sexualidade dissidentes no contexto acadêmico nas IES, o Observatório Caleidoscópio é organizado em nucleações regionais. Seu objetivo é sistematizar informações que subsidiem estratégias de enfrentamento às desigualdades de gênero e sexualidade no meio acadêmico, e assim realiza coleta e tratamento de dados que possam contribuir com a construção de políticas públicas feministas e antirracistas em perspectivas interseccionais e decoloniais.

 

Na Nucleação Centro-Oeste, nossas atividades visam mapear a presença e permanência de mulheres indígenas nas universidades, começando pelo Centro-Oeste, e posteriormente ampliando para o território nacional. As investigações buscam saber quem são as mulheres indígenas nas universidades, em que áreas elas atuam, quais são temáticas das dissertações e teses defendidas.

 

Guiado pelo objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas específicas, uma das atividades do Observatório na nucleação Centro-Oeste é o mapeamento de teses e dissertações defendidas por indígenas mulheres e LGBT dissidentes, identificando quem são, em que áreas científicas atuam e quais produções acadêmicas desenvolveram, buscando atuações de professoras e/ou estudantes de graduação e pós-graduação em universidades públicas. 

 

Esse propósito se aplica na parceria com a rede Arandu (Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade), em que são mapeadas situações de violência e insurgência em relação à população indígena LGBTQIAPN+. Vinculada à nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a rede Arandu prima por uma perspectiva interseccional e transversal, a fim de reconhecer e articular as vivências e experiências marcadas por gênero, sexualidade, raça e etnia.

 

A rede Arandu (Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade) – que mapeia violências e insurgências que atravessam os povos originários, especialmente a população indígena LGBTQIAPN+ por uma perspectiva interseccional e transversal – ou se articular a partir de um ou mais Grupos Temáticos (GT).

 

Para conhecer mais a rede Arandu, acesse o documento que descreve a rede, as atividades de um coletivo indígena LGBTQIAPN+, os coletivos nacionais e internacionais, apresenta um mapeamento de políticas públicas, e o protocolo seguido pela rede Arandu para realizar pesquisas com pessoas indígenas LGBTQIAPN+ no Brasil.

 

Com o apoio do INCT Caleidoscópio e como parte de sua nucleação Centro-Oeste, a rede dedica-se à produção de podcasts, cursos e seminários com mulheres e pessoas indígenas LGBTQIAPN+, compartilhando experiências, saberes e vivências.

 

Sobre a Rede Arandu e suas atuações

 

A rede Arandu nasceu em meados de 2024, a partir do diálogo com a Coordenadoria de Política para Indígenas LGBTQIA+ do Ministério dos Povos Indígenas, com o objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas voltadas aos povos indígenas, desde uma perspectiva interseccional e transversal. Isso significa reconhecer e articular as vivências e experiências marcadas por gênero, sexualidade, raça e etnia.

 

A rede integra a Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio e compartilha de seus objetivos estratégicos. No contexto da Arandu, esses objetivos ganham forma a partir de ações voltadas às realidades dos povos indígenas, com foco na diversidade de gênero e sexualidade, se articulando nas seguintes frentes:

 

1️⃣ Observatório de indicadores de violências e vulnerabilidades voltado ao monitoramento de situações que afetam mulheres indígenas e indígenas LGBTQIA+ no contexto acadêmico e em seus territórios, contribuindo com dados para o enfrentamento dessas violências.

2️⃣ Desenvolvimento de tecnologias sociais e de comunicação que sirvam como instrumentos de fortalecimento comunitário e subsídios para políticas públicas interseccionais, especialmente voltadas a pessoas indígenas em situação de vulnerabilidade por razões de gênero, sexualidade, raça e etnia. 

3️⃣ Incubar projetos reunindo pesquisadoras(es) indígenas e não indígenas, da pós-graduação ao ensino médio, na Incubadora do INCT Caleidoscópio, a fim de aprofundar a relação entre universidade e sociedade na produção de conhecimento situado e coletivo.

4️⃣ Promoção de ações de transferência de conhecimento e divulgação científica, com linguagem acessível e intercultural, voltadas à valorização das trajetórias indígenas e à sensibilização de futuras gerações sobre a importância da diversidade nos espaços de produção de saber.

 

Acesse a matéria completa sobre a rede Arandu clicando aqui: Conheça a ARANDU - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade.

 

A rede Arandu colabora com diferentes espaços do movimento indígena, entre eles o Acampamento Terra Livre. No ano de 2025 participouda programação do Acampamento Terra Livre (ATL) de 2025, em parceria com o movimento indígena LGBTQIAPN+, que vem se fortalecendo nas articulações nacionais. 

 

Junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), ao Centro de Referência Indígena do Rio Grande do Sul, ao Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE), ao Instituto Federal do Maranhão (IFMA), ao Coletivo Tybyra e à Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio, a Rede Arandu tem contribuído com a organização do Seminário Regional de Consulta do projeto Tecendo Direitos: Construindo uma Estratégia Nacional para Indígenas LGBTQIAPN+. Nessa iniciativa, a rede colabora com a metodologia e relatoria dos seminários regionais, com o objetivo de contribuir de forma qualificada para a formulação de políticas públicas voltadas à proteção e valorização de indígenas LGBTQIAPN+ em todo o país. Ao final das etapas de consulta será produzido um documento final de subsídios para políticas públicas.

 

Em colaboração com o Ministério dos Povos Indígenas, a rede coordenao curso de extensão Tecendo Relatos, Defendendo a Vida: formação em relatoria popular de direitos indígenas, vinculado ao Programa Nacional Tecendo Direitos para Indígenas LGBTQIA+. O curso tem como objetivo apoiar pessoas indígenas e não indígenas que participam das etapas territoriais do programa trabalhando a metodologia da relatoria.

 

Com o propósito central de ampliar os espaços de reflexão sobre as epistemologias indígenas e suas perspectivas sobre corpo, gênero e sexualidade, a rede oferece o curso de formação Saberes Indígenas, Gênero e Sexualidade em Diálogo. A proposta é criar um espaço de escuta, troca e formação que aprofunde reflexões e colaborações no campo de pesquisa sobre povos indígenas, gênero e sexualidade, ao mesmo tempo em que promove o reconhecimento de saberes outros na academia e na sociedade, reunindo pesquisadoras nacionais e internacionais com lideranças do movimento de mulheres indígenas e indígenas LGBTQIAPN+.

 

Além dessas ações, a rede desenvolve outras iniciativas relevantes, como a produção de podcasts e materiais informativos. Um exemplo é a cartilha Pessoas Indígenas LGBTQIAPN+ e a Luta por Justiça Climática: Um Lugar na Mesa de Negociação, que tem como objetivo explicar por que e como as pessoas indígenas que vivenciam o gênero e a sexualidade de modos não normativos são fundamentais nas negociações climáticas.

 

Construída de forma colaborativa por diversos grupos e coletivos comprometidos com a produção e a difusão de conhecimentos interdisciplinares e interseccionais, participaram de sua elaboração a Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade – Arandu; o Brasília Research Center – Rede Earth System Governance; o Coletivo Tybyra; o Grupo de Pesquisa em Relações Internacionais e Meio Ambiente (GERIMA-UFRGS); e a Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio.

 

A cartilha aborda a relação entre os direitos humanos e a emergência climática; as negociações sobre o clima, incluindo a COP30 no Brasil; as lutas indígenas LGBTQIAPN+ em interface com a política climática; e a política climática brasileira.

 

Acesse a cartilha: Pessoas indígenas LGBTQIAPN+ e a luta por justiça climática: Um lugar na mesa de negociação.

 

A Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio é coordenada na Universidade de Brasília pelas professoras Viviane de Melo Resende, do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Maria Carmen Aires Gomes, do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, Tchella Maso, do Instituto de Relações Internacionais, e Jacqueline Fiuza, do INCT Caleidoscópio/CNPq.

 

Nossas atividades podem ser acompanhadas pelas páginas de Notícias do nosso site e pelo nosso Instagram @inctcaleidoscópio.